Ceratocone

O ceratocone é uma doença da córnea (parte transparente anterior do olho) de causa ainda discutida, que acomete adolescentes e adultos jovens.

Tem associação frequente com alergia e a coceira ocular pode ser o gatilho que inicia a doença.

É caracterizado pelo aumento progressivo e irreversível da curvatura da córnea, bem como da diminuição de sua espessura. Em outras palavras, a córnea torna-se “pontuda” e “fina”, perde progressivamente sua conformação original e adquire um formato atípico (extremamente encurvada, semelhante a um cone).

Quais os sintomas?

Desconforto visual, dor de cabeça, sensibilidade à luz, baixa da visão (principalmente noturna) e troca frequente das lentes dos óculos.

No início o uso de óculos ou lentes de contato é capaz de oferecer uma boa visão ao paciente.

Entretanto, com a contínua progressão do ceratocone, o astigmatismo aumenta bastante (gerando uma imagem borrada e distorcida), e os óculos passam a não mais oferecer uma visão satisfatória.  Neste estágio somente as lentes de contato são capazes de melhorar a visão.

Muitos pacientes apresentam uma estabilidade relativa ou lenta progressão do ceratocone e, se estiverem bem adaptados às lentes de contato, conseguem levar uma vida sem muitas restrições.

Em muitos casos, infelizmente, o ceratocone continua evoluindo progressivamente e a adaptação e tolerância às lentes de contato vão se tornando cada vez mais limitadas. O aumento da protuberância da córnea dificulta a estabilidade das lentes de contato, bem como diminui a visão.

 Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado através de exame oftalmológico e pode ser confirmado através da Topografia ou Tomografia Corneana Computadorizada (Pentacam).

Esses exames fazem uma análise da superfície da córnea e expressam as informações através de gráficos numéricos e de cores. Com isto, além de auxiliar muito no diagnóstico podemos acompanhar a evolução, forma, posição e tamanho do ceratocone.

Tratamento

As lentes de contato rígidas representam uma ótima opção para recuperação visual (em cerca de 80% dos casos) porque substituem a superfície irregular da córnea por outra regular. Elas permitem melhora da visão mesmo nos graus avançados da doença, mas não evitam a sua progressão.

Existem muitos desenhos e tipos de lentes para adaptação em ceratocone. O modelo ideal é determinado de acordo com a forma do cone, evolução da doença e os testes com lentes de prova.

Há muitas novidades no tratamento do ceratocone: crosslinking, implantes de anéis intraestromais na córnea e até transplantes lamelares (especiais).

O crosslinking, é um tratamento empregado para tentar evitar a progressão do ceratocone. Visa o fortalecimento das fibras de colágeno (que representam as pontes de sustentação da córnea). Com o aumento da resistência corneana, diminui-se a elasticidade e reduz-se a chance de progressão do abaulamento corneano, responsável pelo alto astigmatismo e baixa visual. A técnica consiste na aplicação de um colírio a base de riboflavina (vitamina B), que é ativado por meio de um feixe especial de luz ultravioleta, determinando a contração e união das fibras de colágeno, aumentando a resistência estrutural da córnea.

Os anéis intraestromais, por sua vez, são indicados para pacientes com ceratocone que apresentam dificuldade visual com o uso de óculos e intolerância ao uso de lentes de contato. Têm a função de melhorar a visão através da regularização da córnea, com diminuição do astigmatismo e/ou da curvatura corneana. São recomendados apenas para alguns tipos e graus de ceratocone, em córneas transparentes.

O transplante geralmente é a última escolha no tratamento, indicado quando a córnea apresenta cicatrizes ou para casos avançados que não obtém boa visão com as lentes de contato ou que fogem aos critérios de implantes de anéis intraestromais.

Para um diagnóstico preciso e escolha do melhor método terapêutico é fundamental acompanhamento com oftalmologista especializado.