Mitos sobre catarata

No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas têm catarata; anualmente, 550 mil novos casos surgem.
Uma das principais doenças causadoras de cegueira no mundo, a catarata é uma alteração ocular que torna o cristalino opaco. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a patologia é responsável, hoje, por 51% dos casos de perda da visão no planeta, ou seja, cerca de 20 milhões de pessoas. No Brasil, a estimativa é que existam dois milhões de portadores. Ainda, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia alerta que cerca de 550 mil novos casos surgem anualmente. Embora seja uma condição passível de correção com cirurgia, um enorme contingente de pacientes tem receio de buscar o tratamento adequado, sobretudo os idosos.
Mas, por que os portadores de catarata preferem enfrentar a cegueira a fazer a cirurgia corretiva? Há uma conjunção de fatores que envolve desde a desinformação à falta de recursos financeiros. Apesar da incidência da doença, a boa notícia é que ela é tratável e pode ser corrigida cirurgicamente, devolvendo a visão aos pacientes, se não houver outros problemas associados.
1. É preciso esperar “amadurecer” a catarata para realizar a cirurgia.
MITO. O procedimento cirúrgico é indicado sempre que a doença interferir no cotidiano de qualquer pessoa. Antigamente, a cirurgia da catarata era mais complexa, porque envolvia internação, anestesia geral e um pós-operatório restritivo. Nos últimos anos, tivemos um avanço incrível com o uso da tecnologia que tornou o procedimento muito mais seguro para os pacientes; hoje, eles já saem no mesmo dia do hospital.
2. O diabetes não é um fator de risco.
MITO. O diabetes é uma doença silenciosa que se não for controlada, compromete diferentes órgãos, incluindo o olho. Há diversas pesquisas e estudos, alertando sobre a incidência da catarata em pacientes diabéticos, principalmente pelos altos níveis glicêmicos no sangue.
3. Colírios podem curar a catarata.
MITO. O tratamento da catarata só é possível por meio da cirurgia. Com uso de anestesia tópica é feito uma incisão de dois milímetros no olho, por onde um aparelho, que lembra um canudinho, irá aspirar o conteúdo da catarata no cristalino. Em seguida, é implantada uma lente intraocular atrás da íris (parte colorida dos olhos). Essa prótese que restabelece a visão dos pacientes pode também ter um grau específico para cada um, permitindo enxergar bem sem o uso dos óculos. Além disso, diferente da prótese de coração ou quadril – que deixam algum tipo de limitação, ela é a única dentro da medicina, que restabelece a função.
 4. Apenas idosos são afetados.
MITO. A catarata senil faz parte do envelhecimento comum da população. Assim como vamos ficar com cabelos brancos, vamos ter a catarata. Ela é uma realidade e um dia todos teremos que fazer a operação corretiva. Existem, no entanto, outros tipos de catarata, como a congênita que se manifesta na infância ou por causas secundárias.
 5. A catarata pode voltar após a cirurgia.
MITO. A catarata é curável. Uma vez substituído o cristalino por uma lente intraocular, a doença não retornará. O que pode ocorrer é um processo de opacidade da cápsula posterior em que se coloca a prótese. Para resolver essa situação é recomendado realizar uma espécie de polimento da lente à laser – procedimento realizado no ambulatório, de forma rápida e indolor.
Por fim, cabe destacar que nos pacientes com catarata a visão nublada pode dificultar a realização de atividades cotidianas como ler, dirigir o carro, pegar um transporte público ou simplesmente andar na rua. É uma condição que compromete a empregabilidade e a qualidade de vida. Portanto, converse com seu oftalmologista e faça os exames oftalmológicos regularmente!
Fonte: Revista Universo Visual/IPEPO, de 7 de fevereiro de 2019.
https://universovisual.com.br/secao/noticias/298/os-cinco-mitos-sobre-a-catarata